Osteocrenose

OSTEONECROSE do JOELHO

A osteonecrose (ON) do joelho também chamada de necrose avascular ou necrose asséptica deve ser separada em duas categorias: ON primária, também conhecida como idiopática, e ON secundária. A idiopática manifesta-se como uma dor aguda no joelho, geralmente o paciente consegue perfeitamente descrever o momento de início da dor. É mais comumente encontrada em pacientes idosos (75% acima de 55 anos), mulheres (3/1) e obesas (60%).

Foram propostas as teorias vascular e traumática como fator etiológico da ON, mas a causa exata permanece no campo especulativo. Alto grau de suspeita clínica, boa anamnese e bom exame clínico são essenciais para um diagnóstico preciso e precoce. A principal característica biológica dessa afecção é o fluxo sanguíneo deficitário em dada porção óssea, o que se manifesta clinicamente por dor no joelho, particularmente na região do planalto tibial medial ou no côndilo medial do fêmur, com início súbito e intenso. A doença manifesta-se, inicialmente, por dor súbita que muda progressivamente de características e é incapacitante. Podem os sintomas estender-se por vários meses, tendo impacto pessoal, financeiro e social na população acometida. Ainda como característica da dor, observa-se sua ocorrência noturna, a piora com a atividade, a melhora com o repouso, a não resposta à fisioterapia e aos antiinflamatórios.A patogênese do início súbito da dor é explicada pelo fato de provocar microfraturas na cartilagem e aumento da pressão no osso subcondral, que, para alguns autores, pode ser desencadeada pela presença concomitante de lesão meniscal. Outros autores afirmam que, apesar de a lesão meniscal não estar presente em todos os casos de ON, ela pode surgir como conseqüência da doença. Esse fato é responsável pelo insucesso de muitas operações de ressecção do menisco, quando os sintomas permanecem e se acentuam após a meniscectomia.

O aspecto radiográfico da osteonecrose pode variar desde ausência de sinais até a presença do defeito ósseo com ou sem artrose do compartimento. São freqüentemente normais nos estágios iniciais da doença e, em tais casos, a cintilografia óssea e a ressonância magnética podem ser úteis. A cintilografia permite diagnóstico precoce (oito semanas de evolução) e está hipercaptante em todas as fases da doença. A ressonância magnética é um método adequado para o diagnóstico dessa doença antes de aparecerem as alterações radiográficas. Existem alguns trabalhos recentes que sugerem que a essa possa ter valor prognóstico importante.

 

Tratamento

O tratamento da doença objetiva impedir a sua progressão para as fases em que a lesão compromete a articulação por envolver superfície cartilaginosa de revestimento – uma complicação irreversível.

Na fase inicial da doença o tratamento conservador está indicado e muitos pacientes tem evolução benigna, com alívio da dor e boa função articular. Este consiste na retirada da carga sobre o membro comprometido com o objetivo de prevenir o colapso articular. Tratamento medicamentoso não surte efeito. Exercícios para manter o tônus muscular que usem os movimentos articulares podem aumentar a dor, provavelmente em decorrência do aumento da pressão sobre o local da lesão. Quando o diagnóstico é precoce, principalmente antes do aparecimento da lesão na radiografia, o tratamento conservador fornece bom resultado em pelo menos dois terços dos pacientes. O princípio do tratamento conservador é a proteção da cartilagem articular contra forças que levem a sua deformação nas fases de necrose e reabsorção e consiste, basicamente, na diminuição da atividade física e a retirada parcial da carga sobre o joelho afetado. Os pacientes devem eliminar as atividades físicas em posição ortostática, devem andar com muletas, fazendo carga parcial sobre o membro afetado, limitando sua atividade ao máximo. Aqueles pacientes que tenham necessidade de manter-se ativos poderão fazer ginástica aquática, na qual a carga corporal é eliminada ou reduzida de forma significativa. Os sintomas em geral diminuem de forma significativa em torno de três meses após o início do tratamento nos pacientes com boa evolução. Estes, com a reparação completa da lesão, tornam-se assintomáticos entre seis e 12 meses.

Nos pacientes com a doença em estágio avançado, as opções de tratamento incluem desbridamento artroscópico, abrasão ou perfuração da lesão, uso de aloenxerto osteocondral, osteotomia tibial alta e artroplastia total ou unicompartimental do joelho.

A escolha do tratamento deve ser baseada em fatores como idade do paciente, intensidade dos sintomas, nível de atividade e demanda funcional da articulação, localização e estágio da lesão, e presença de deformidade e artrose secundária.

O reconhecimento dessa doença, seu diagnóstico precoce e a imediata instituição do tratamento conservador são fundamentais para a profilaxia das graves alterações degenerativas provocadas por ela. O conhecimento desta doença e a investigação desse diagnóstico nos pacientes idosos com quadro de dor aguda no joelho, particularmente quando há suspeita diagnóstica de lesão meniscal, certamente evitarão que sejam realizadas operações malsucedidas em virtude de um erro diagnóstico freqüente pela similaridade de seus sintomas com os da meniscopatia degenerativa do idoso.

Fonte: http://www.rbo.org.br/materia.asp?idIdioma=1&mt=820

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