Transplante de Cartilagem

Há um prognóstico na medicina ortopédica que nenhum especialista pode contrariar: a cartilagem humana, quando lesada, nunca poderá ser restabelecida exatamente igual ao antigo tecido sadio – não há procedimento ou receita, até hoje, que faça isso ocorrer. A raiz dessa dificuldade está nas próprias características do tecido, que não tem capacidade regenerativa. “A cartilagem não tem vascularização, por isso não consegue formar um novo material”.

A cartilagem é um tecido elástico, encontrado nas articulações, que serve de sustentação e dá mobilidade aos membros do corpo. Flexível, ela permite o deslizamento suave dos ossos e absorve o impacto sobre eles, impedindo que se desgastem e provoquem dores. Como se trata de um tecido muito sensível, é facilmente lesado por trauma (devido a queda ou fratura) que afete as articulações ou por desgaste natural.

Cerca de 75% do material que compõe a cartilagem é água e, ao longo da vida, a tendência é o tecido ficar desidratado e perder a elasticidade, levando a doenças como a artrose. No caso de traumatismos, os joelhos costumam ser o maior alvo, devido à exposição que sofrem durante atividades físicas. Estima-se que em cerca de 40% das lesões do joelho a cartilagem seja atingida.

Cartilagem cultivada em laboratório

Diante desse quadro, diversas técnicas e tratamentos voltados para a recuperação da cartilagem vêm sendo desenvolvidos ao longo dos últimos anos. Alguns especialistas alegam que a maioria não tem efeito duradouro. A exceção, hoje, é o transplante de cartilagem realizado, na maior parte dos casos, nos traumas de joelho.

O primeiro transplante desse tipo, no Brasil, foi realizado no Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), há quatro anos. Foi coordenado pelo ortopedista Moisés Cohen e sua equipe e, desde então, continua sendo considerado um dos tratamentos mais eficazes para o problema.

A técnica consiste em retirar células de cartilagem de uma região do joelho do paciente que não sofra sobrecarga de peso e multiplicá-las em laboratório. O próprio sangue do paciente é usado como meio de cultura para as células (ou seja, sua fonte de nutrientes para crescer) e também para pesquisa de material genético.

Após aproximadamente um mês, pode existir quantidade suficiente de células novas para serem enxertadas. Uma nova cirurgia é marcada e essas células são injetadas na região afetada. Em geral, cerca de seis meses após a operação, o novo tecido deverá estar integrado à cartilagem ao redor da lesão. A grande vantagem desse tratamento é que a cartilagem a ser formada será praticamente igual à do tecido anterior.

Quando fazer o transplante de cartilagem

Apesar de inovador e eficiente, o transplante de cartilagem ainda não é praticado com freqüência no País. Entre as razões está o fato de que o procedimento só é indicado no caso de lesões causadas por traumas, que sejam pequenas e bem delimitadas e para pessoas de até 50 anos.

O transplante não funciona nos casos em que a lesão esteja muito disseminada ou quando o tecido circundante for muito fino, o que ocorre nos pacientes que sofrem de artrose e osteoporose. “Além disso, é um tratamento mais trabalhoso porque envolve duas cirurgias e, conseqüentemente, demanda maiores custos”, diz o ortopedista.

“É preciso considerar também que o pós-operatório do transplante é mais demorado e requer mais cuidados em relação a outros procedimentos para a recuperação da cartilagem.” O paciente volta às atividades normais em oito meses, período em que deverá recorrer ao uso de muletas e terá de se dedicar a sessões rigorosas de fisioterapia. O esforço, porém, vale a pena: os resultados indicam que entre 80% e 90% da função da articulação será restabelecida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte Moises Cohen

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=9595

http://www.hiae.br/EspacoSaude/TecnologiaInovacao/Paginas/Joelhonovocomotransplantedecartilagem.aspx

http://www.gmreis.com/produtos.html?FhIdCategoria=aedd61efa27782ca3f48dac558dd42a3&FhIdProduto=b483dcc92383e7437ac758f9529523bc&ret=&

http://apps.einstein.br/revista/arquivos/PDF/693-Einstein%20v6n1%20port%20p37-41.pdf

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