Reabilitação Pós Reconstrução LCA

Programas de reabilitação tem tido progresso ao lado de avanços cirúrgicos em reconstrução de ligamentos cruzado anterior. Cada vez mais se utiliza programas pré-operatórios de reabilitação, e preparação do Joelho para cirurgia de Reconstrução do LCA (ligamento Cruzado Anterior) com muito sucesso, reduzindo complicações pós-operatórias e retornando pacientes para atividade mais rapidamente possível, com muita segurança. Utilizam-se técnicas fisioterápicas que garantem a melhora da função muscular, já fase pré-operatória incluindo a redução agressiva dos edemas, exercícios de hiper-extensão, treinamento de marcha dando também um aporte psicológico a este tipo de paciente. Os objetivos pós-cirúrgicos são o controle de edema enquanto se recupera toda a série de movimentos do joelho. Depois que os objetivos de fortalecimento de quadríceps forem alcançados, os pacientes podem passar para exercícios esportivos específicos.

MOBILIZAÇÃO MANUAL ARTICULAR

Antes de tudo, é bom deixar claro que as técnicas descritas são baseadas na mecânica articular onde são considerados os vetores de compressão e movimentos dos músculos, as superfícies articulares (côncava e convexa) e os movimentos que são permitidos no complexo articular do joelho.

Seguindo a fisiologia articular e a hierarquia dos micro e macro movimentos, serão utilizadas técnicas de tração (afastamento das superfícies articulares, aumentando espaço articular), deslizamento (respeitando a regra do côncavo x convexo), as rotações (no joelho são permitidas na art. tíbio-femural) e os rolamentos.

Os graus de movimento para tração e deslizamento são classificados em:

Grau I: Força de tração ou deslizamento de amplitude extremamente pequena, que não gera separação articular apreciável e mobilizações leves. São bem utilizados para aliviar a dor e também como testes e mobilizações de deslizamento.

Grau II: Movimento de alongamento gradual onde se observa o aparecimento de resistência significativa dos tecidos que circundam a articulação. São bem utilizados para aliviar a dor, testar a folga articular, aumentar ou manter o movimento.

Grau III: Movimento de alongamento que envolve força suficiente para esticar os tecidos que cruzam a articulação. São bem utilizadas para testar a percepção do fim do movimento na folga articular e aumentar a mobilidade.

Na mobilização articular do joelho, descreve-se que ocorrerá com a mobilização da superfície articular côncava da tíbia em relação aos côndilos femorais (art. tíbio-femural) e na superfície articular posterior côncava da patela em relação a tróclea femoral (art. patelofemural). A articulação é colocada em 25 a 40º de flexão caracterizando posição de repouso articular. As técnicas geralmente são aplicadas com o paciente deitado sobre maca em altura adequada para o terapeuta.

Tração do joelho (para dor e hipomobilidade): o objetivo é aumentar o espaço entre as superfícies articulares para diminuir o atrito, dor e aumentar a mobilidade do joelho. O paciente é posicionado em decúbito ventral, com o lado anterior da coxa sobre a superfície de tratamento e o joelho em posição de repouso. O terapeuta fixa com uma das mãos a parte distal do paciente contra a superfície de tratamento e segura a perna do paciente acima da articulação do tornozelo, posicionando seu antebraço em linha com a perna do paciente. Aplica-se um movimento de tração de grau I, II ou III em linha com a perna.
A sugestão é que o movimento (ida e volta) seja de forma lenta e dure cerca de 10 segundos e o número de repetições seja de 3 a 5.

Deslizamento posterior do joelho (para restrição da flexão): a técnica pode ser empregada inicialmente com o joelho em posição neutra (sem rotação aparente da tíbia) e depois com a tíbia posicionada em rotação (lateral e medial), o objetivo é aumentar a flexão do joelho e a amplitude de movimentos em rotações lateral e medial. O paciente é posicionado em decúbito dorsal, joelho posicionado em 30º de flexão associada ou não a rotações da tíbia. O terapeuta fixa com uma das mãos a coxa do paciente acima do joelho e fixe-o contra o seu corpo e segura a perna abaixo do joelho pelo lado anterior (procedimento sem rotação da tíbia), ântero-medial (com rotação medial da tíbia) ou ântero-lateral (com rotação lateral da tíbia). Aplica-se um movimento de deslizamento posterior de grau III à tíbia. A mobilização do joelho é mais fácil e efetiva quando o tratamento é orientado diretamente para o lado medial ou lateral.

A sugestão é que os movimentos são feitos em pequena amplitude e o nº de repetições fica a critério do terapeuta e também dependendo do grau de restrição de mobilidade articular.

Deslizamento anterior do joelho (para restrição de extensão): a técnica pode ser empregada com o paciente na mesma posição do deslizamento posterior, aplicando neste caso um movimento de deslizamento anterior da tíbia. Mas Kaltenborn descreve esta técnica com o paciente em decúbito ventral, com o joelho perto da borda da mesa de tratamento (maca) e como sempre em posição de repouso, a coxa do paciente é fixada contra a superfície de tratamento e (o ideal é que isto seja feito por outra pessoa) e o terapeuta segura a perna do paciente contra seu corpo com ambas as mãos, uma proximalmente ao tornozelo e a outra distalmente ao joelho, os polegares são apoiados na face posterior da perna do paciente e assim como na técnica anterior a tíbia pode estar em posição neutra, rotação lateral ou medial. Aplica-se um movimento de deslizamento anterior de grau III à tíbia proximal, inclinando o corpo em direção ao antebraço que está sobre a região proximal da tíbia e dobrando seus joelhos, movimentando ambas as mãos e o corpo juntamente. A mobilização do joelho é mais fácil e efetiva quando o tratamento é orientado diretamente para o lado medial ou lateral.

Deslizamento lateral do joelho (para restrição de flexão e extensão): a técnica é empregada com o objetivo de aumentar a amplitude de movimentos do joelho em flexão, extensão e rotação. O paciente é posicionado em decúbito lateral, com a lateral da perna sobre a superfície de tratamento e o joelho em posição de repouso. A parte distal da coxa do paciente é fixada contra a superfície de tratamento e (o ideal é que isto seja feito por outra pessoa) para melhorar a fixação, coloca-se uma cunha ou toalha de rosto (enrolada ou dobrada) num local imediatamente proximal ao espaço articular. O terapeuta segura a perna do paciente pelo lado medial com ambas as mãos, uma das mãos segura proximalmente ao tornozelo e a outra distalmente ao joelho. Aplica-se um movimento de deslizamento lateral de grau II ou III, inclinando o corpo na direção de seus braços estendidos, movimentando ambas as mãos e o seu corpo conjuntamente (KALTENBORN, 2001).

A sugestão é que os movimentos são feitos em pequena amplitude e o nº de repetições fica a critério do terapeuta e também dependendo do grau de restrição de mobilidade articular.

Deslizamento medial do joelho (para restrição de flexão e extensão): a técnica é empregada com o objetivo de aumentar a amplitude de movimentos do joelho em flexão e extensão. O paciente é posicionado em decúbito lateral, com a lateral da perna sobre a superfície de tratamento e o joelho em posição de repouso. A parte proximal do tornozelo do paciente é fixada contra a superfície de tratamento e coloca-se uma cunha ou toalha de rosto (enrolada ou dobrada) num local imediatamente distal ao joelho. O terapeuta segura a coxa do paciente pelo lado medial com uma das mãos num local imediatamente proximal ao joelho, enquanto a outra mão segura proximalmente ao tornozelo. Aplica-se um movimento de deslizamento medial ao fêmur de grau II ou III, inclinando o corpo em direção ao braço que está estendido na região proximal do joelho (KALTENBORN, 2001).

Deslizamento distal da patela (para restrição da flexão): a técnica é empregada com o objetivo de aumentar a amplitude de movimentos em flexão do joelho ao aumentar o deslizamento distal da patela. O paciente é posicionado em decúbito dorsal, utiliza-se uma cunha ou toalha de rosto (enrolada ou dobrada) para colocar o joelho em posição presente de repouso. O joelho é fixado pela cunha ou toalha, o terapeuta segura com a palma de uma das mãos a borda proximal da patela e repousa o antebraço ao longo da coxa do paciente e posiciona uma mão sobre a outra para aumentar a preensão. Aplica-se um movimento de deslizamento distal de grau II ou III à patela, mantendo o antebraço paralelo à coxa para evitar forças de compressão direcionadas à patela. A restrição do deslizamento distal pode estar associada à restrição da flexão do joelho. Nesse caso, é importante aumentar a mobilidade patelar antes de utilizar técnicas de mobilização da articulação do joelho (KALTENBORN, 2001).

Deslizamento medial e lateral da patela: a técnica é empregada com o objetivo de aumentar os deslizamentos medial e lateral da patela, contribuindo para o ganho de mobilidade no joelho. O paciente é posicionado em decúbito dorsal, utiliza-se uma cunha ou toalha de rosto (enrolada ou dobrada) para colocar o joelho em posição presente de repouso. O terapeuta segura com uma das mãos em torno da coxa, imediatamente acima da patela pelo lado anterior e com a palma da outra mão segura a borda lateral da patela, com o antebraço paralelo à superfície de tratamento. Aplicam-se movimentos de deslizamentos medial e lateral de grau II ou III à patela, mantendo o antebraço paralelo à coxa para evitar forças de compressão direcionadas à patela (KALTENBORN, 2001).

O ALONGAMENTO MUSCULAR

Serão descritas algumas técnicas de alongamento da musculatura que age principalmente no joelho e também no quadril. As técnicas são baseadas na fisiologia muscular e nos vetores de força dos músculos e suas resultantes. O alongamento é feito de forma lenta e progressiva, sugerindo o nº de 5 a 10 repetições com duração média de 25 segundos cada uma. Mas deve-se respeitar a condição muscular e a individualidade de cada paciente.

Alongamento dos isquiotibiais (bíceps femoral, semimembranoso e semitendinoso): para alongamento desta musculatura de uma “forma uniforme”, o paciente deve estar em decúbito dorsal, articulação coxofemoral em posição neutra, o membro que não será alongado deve estar com a perna estendida e apoiada na superfície de tratamento (solo ou maca). O terapeuta posiciona-se ao lado do paciente e do membro a ser manipulado, uma mão é apoiada na porção proximal da face anterior da coxa e a perna á apoiada no ombro do terapeuta e com o auxílio de outra mão promove-se flexão passiva do quadril. O joelho quando está em flexão produz encurtamento dos isquiotibiais em sua inserção distal e assim o alongamento é maior na inserção proximal (quadril), já com o joelho estendido ocorre alongamento evidente nas duas inserções (quadril e joelho). Para se dar ênfase no alongamento do semimembranoso e semitendinoso, coloca-se o paciente na mesma posição só que agora o alongamento ocorre com rotação lateral da coxa para que ocorra um alongamento maior desta musculatura que está na face póstero-medial da coxa e seus vetores de força agem medialmente em flexão do joelho e rotação medial da tíbia. Para se dar ênfase no alongamento do bíceps femoral, coloca-se o paciente na mesma posição só que o alongamento ocorre com rotação medial da coxa para que ocorra um alongamento maior desta musculatura que está na face póstero-lateral da coxa e seus vetores de força agem lateralmente em flexão do joelho e rotação lateral da tíbia. (KALTENBORN, 2001).

Alongamento do quadríceps (vasto lateral, vasto intermédio, vasto medial, vasto medial oblíquo e reto femoral): para alongamento desta musculatura, o paciente deve estar em decúbito lateral (deitado sobre o lado do membro que não será alongado), articulação coxofemoral em posição neutra, joelho fletido para que o alongamento ocorra nas inserções proximal e distal. O terapeuta posiciona-se posteriormente ao paciente, uma das mãos estabiliza o quadril (altura da crista ilíaca – face lateral e posterior) e promove-se extensão passiva do quadril movendo a coxa do paciente (puxando para trás) com a outra mão. E o movimento deve ocorrer em linha reta para que o alongamento seja de “forma uniforme” em toda a musculatura. (KALTENBORN, 2001).

Alongamento de adutores e abdutores: é muito importante o alongamento desta musculatura do quadril, pois um posicionamento excessivo da articulação coxofemoral tanto em adução ou abdução (lembrando que estes movimentos são associados às rotações, pois esta articulação é classificada como balanço impuro) altera o posicionamento e a pressão sobre o joelho e além de tudo trata-se de uma unidade funcional inferior e não simplesmente de uma articulação. Para o alongamento desta musculatura, o paciente deve estar em decúbito dorsal, para os adutores um membro deve ficar em flexão e leve abdução de quadril, flexão de joelho e apoiando o pé sobre o solo ou maca. O pé do terapeuta serve como apoio medial evitando o deslocamento deste membro, pois a forca produzida em abdução levara o quadril a inclinar para o lado oposto e a tendência e que a perna flexionada se mova em adução, o outro membro deve estar em extensão e a força de alongamento é aplicada para promover abdução passiva e de forma progressiva. Para aumentar o grau de alongamento, deve-se aumentar a amplitude de abdução do membro que está apoiado no chão. Para o alongamento dos adutores os dois membros devem ficar em extensão, o terapeuta estabiliza um dos membros com o pé na face lateral do terço distal da perna com o mesmo propósito acima descrito, evitar que a perna se mova como compensação devido à inclinação do quadril, evitando assim o deslocamento lateral de um dos membros. O outro membro é seguro pelo terapeuta no terço médio ou distal da perna, e este promove adução passiva ultrapassando a linha sagital, ocorrendo assim o alongamento do grupamento abdutor deste membro. (KALTENBORN, 2001).

FORTALECIMENTO MUSCULAR

Após cirurgia ou imobilização a musculatura encontra-se hipotrofiada e hipotônica, condições que são desfavoráveis ao movimento estabilidade articular. Em um processo de fortalecimento muscular, deve-se conhecer bem os conceitos de alavancas, vetores de força, torque, vantagem mecânica, cadeia cinética e energia potencial para sabermos explorar bem e fisiologicamente de um grupo muscular, em qual momento angular este grupo trabalha com vantagem mecânica e como poder adequar um trabalho explorando os vetores de força com predominância de movimento. Conhecer bem os vetores de força e suas resultantes para trabalhar um músculo em suas ações acessória e principal é de grande valia saber identificar em que cadeia cinética é mais adequado trabalhar determinado movimento. Saber explorar os movimentos convergentes e contracorrentes é ótimo em casos de lesão muscular, onde podemos iniciar um fortalecimento trabalhando um músculo com pré-encurtamento ou com pré-estiramento da inserção contrária à lesão, fazendo assim um trabalho muscular com vantagem mecânica. E finalmente, conhecer os tipos de resistência que podem ser utilizadas. (KALTENBORN, 2001).
Com relação à resistência elástica, ela oferece diversas vantagens. Uma delas e que podemos trabalhar um movimento com o paciente em qualquer posição, pois segundo a formula de energia potencial elástica (Epe=Kx²/2) a gravidade não influencia, outra vantagem e que devido a sua capacidade de deformidade podemos explorar melhor a 3ª lei de Newton aplicando este tipo de resistência na mesma direção e em sentido oposto ao da potencia e alem disso pode-se trabalhar em velocidade constante e neste caso o Br tem pouca variação o que gera um exercício mais homogêneo, caracterizando um exercício isocinético que através da utilização de aparelho, oferece resistência acomodativa e já o elástico oferece menor variação de Braço de resistência.

Quanto ao ângulo de inserção sabe-se que quanto mais perpendicular o tendão estiver da superfície óssea caracteriza-se maior fortalecimento muscular e o melhor momento do músculo para o movimento articular e quando este estiver paralelo à superfície óssea estará em seu momento estabilizador. Partindo destes conceitos, a sugestão e que devemos trabalhar o fortalecimento muscular de forma fracionada, para podermos assim explorar estes melhores momentos de movimento. No caso do quadríceps, a tendência para o movimento ocorre na angulação de 0 a 30º, considerando o paciente sentado e 0º corresponde a 90º de flexão, de 30 a 60º ocorre a transição de movimento para estabilidade, onde o tendão ocupara uma posição paralela a superfície óssea e na angulação de 60 a 90º ocorre a estabilidade da articulação onde o joelho esta totalmente estendido e os tendões estão paralelos a superfície óssea. No caso dos isquiotibiais, a tendência para a estabilidade ocorre de 0 a 30º, considerando o paciente sentado e 0º corresponde à extensão total do joelho, de 30 a 60º ocorre transição de estabilidade para movimento onde o melhor momento para o movimento e de 60 a 90º onde os tendões estão em suas posições perpendiculares à superfície óssea. Vale ressaltar que este trabalho fracionado e realizado em cadeia aberta e em estágios iniciais e intermediários de fortalecimento, onde tardiamente o fortalecimento deve ser feito em cadeia fechada e no trabalho de propriocepção estimula-se a estabilidade. Conhecendo estes conceitos, podemos identificar porque em alguns trabalhos de fortalecimento onde o terapeuta exige um fortalecimento em estagio inicial e intermediário de forma não fracionada ocorre à formação de processos inflamatórios nos tendões (tendinites). (KALTENBORN, 2001).

Com relação às cadeias cinéticas, em trabalho inicial e intermediário de fortalecimento deve ser em cadeia aberta, pois temos a possibilidade de controlar bem a aplicação da resistência e trabalhar de forma fracionada. Em trabalho final de fortalecimento, treinamento proprioceptivo e atividades funcionais e que exploramos o fortalecimento em cadeia fechada onde há sustentação do peso corporal e trabalha-se bem a estabilidade e equilíbrio, pois este tipo de treinamento exige muito controle neuromotor. (KALTENBORN, 2001).

Quanto aos vetores de força e suas resultantes, e importante considerá-los, pois a partir disto se conhece as ações acessória e principal de cada músculo e podemos adequar um trabalho de fortalecimento exigindo de forma gradual. Pela fisiologia articular, o movimento de rotação precede o rolamento, sendo assim a sugestão e que em estágios iniciais trabalha-se bem as rotações da tíbia com o joelho fletido onde fortalecemos os músculos bíceps femoral, semimembranaceo e os da pata de ganso em suas ações acessórias e depois se trabalha o fortalecimento da musculatura exigindo sua ação principal.

Mais um fator importante para o programa de fortalecimento muscular e a relação comprimento x tensão onde através da formula de energia potencial e fisiologicamente comprovou-se que os músculos que estão em posição de pré-estiramento (alongados) antes de se contraírem liberam maior quantidade de energia que e convertida em cinética (movimento). Quanto maior o pré-estiramento, maior será o recrutamento de fibras musculares e melhor qualidade de contração e produzida. Um exemplo de exercício em cadeia aberta e partindo de um pré-estiramento e a extensão do joelho com o paciente sentado e com o quadril em extensão em cadeia fechada (retroversão pélvica), onde a inserção proximal do reto femoral e pré-estirada, potencializando assim sua ação no joelho. Já no movimento de flexão, com o paciente em decúbito ventral, o quadril estando em flexão em cadeia fechada (anteroversão pélvica), onde a inserção proximal do isquiotibiais e pré-estirada, potencializando sua ação no joelho. Uma técnica de reabilitação motora baseada neste conceito de pré-estiramento e o PNF. Outro fator importante e a relação velocidade de contração x tensão onde quanto maior for a velocidade de contração, menor será a tensão produzida e atrito intra-articular. Este e mais um fator que reforça a importância do trabalho de fortalecimento de forma fracionada, associadas com pré-estiramento melhores ângulos de inserção e adequando assim o programa de fortalecimento muscular.

A sugestão e que se inicie e termine as sessões de fortalecimento muscular com mobilização para que se mantenha um bom espaço e congruência articular.

O numero de series de repetições dependera da condição muscular de cada paciente, dos objetivos funcionais (resistência, forca, potência, etc).

TREINAMENTO PROPRIOCEPTIVO

O treinamento proprioceptivo engloba três aspectos que são inter-relacionados e importantes para a criação de exercícios e estes são: contração isotônica excêntrica, base de sustentação e cadeia cinética fechada. E não e difícil identificar a importância de cada um, movimento de MMII ocorre em maior parte do tempo em cadeia fechada, sustentando o peso corporal e com aceleração e desaceleração sendo este ultimo um fator que exige muito controle neuromotor. A partir disto, a propriocepção se encaixa como importantíssimo aspecto a ser abordado na reabilitação da unidade funcional inferior.

Os exercícios de propriocepção são realizados após o trabalho de ganho de mobilidade articular e pode ser iniciado durante o trabalho de fortalecimento muscular em cadeia fechada. A evolução dos exercícios ocorre com o posicionamento do paciente onde se tem deslocamento do centro de gravidade, diminuição da base de sustentação, etc. A sugestão e que se comece o treinamento com o paciente em apoio bipodal executando transcrições latero-laterais e Antero posteriores exigindo assim, controle neuromotor e estimulando os receptores ligamentares (LCA, LCP, LCL, LCM), depois se coloca o paciente em posição de passo e pedindo novamente as transcrições. Na transcrição Antero-posterior ocorrera desaceleração e exigência neuromuscular para o controle da tíbia para frente. Em fases intermediaria e final, a sugestão e que o treinamento explore o apoio unipodal e os gestos esportivos (aspecto funcional). O apoio unipodal e realizado primeiramente em solo estável e com a evolução do treinamento ocorre em solo instável como cama elástica, areia e pode associar o gesto esportivo como jogar bola para o paciente segurar ou chutar com a perna que está em balanceio.
O treinamento evolui de acordo com a resposta do paciente em reações de equilíbrio estático e dinâmico e partindo assim para o treinamento funcional.

Protocolos de reabilitação pós-cirurgia de LCA

Na fase de reabilitação pós-cirúrgica, podem ser utilizados 2 tipos de protocolos diferentes. O Protocolo normal que visa a recuperação do joelho do paciente não atleta, ou de pacientes do sexo feminino, e o protocolo acelerado de reabilitação do joelho para pacientes atletas com a intenção de recuperá-lo em menor tempo, retornando assim a sua atividade profissional mais rapidamente possível. Mesmo em protocolos acelerados o tempo de afastamento das atividades esportivas que necessitem de rotação é o mesmo. Os protocolos mais acelerados tem um menor índice de complicações referentes a artrofibrose e déficit de mobilidade pós operatória. O uso de imobilizações pós operatórias não são mais recomendados. Utilizam-se em casos especiais braces como medida anti álgica e para locomoção inicial.

Protocolo Normal de Reabilitação do joelho

1º ao 3º dia – pós-operatório

– Mobilização passiva da patela
– ADM a 90º e extensão passiva completa, MMII elevados
– Estimulação elétrica do quadriceps
– Marchas com 2 muletas e apoio parcial (marcha em 3 pontos)
– Mobilitdade ativa pé, tornozelo
– Crioterapia no joelho.

4º ao 14º dia

– ADM 0º até o suportável (inicialmente passiva)
– Exercícios isométricos sem carga
– Exercícios isotônicos de quadril e tornozelo com carga progressiva
– Criocinética

3ª semanas

– ADM 0º a 120º
– Marcha com 1 muleta e apoio parcial (marcha em 2 pontos)
– Exercícios ativos de flexo-extensão
– Propriocepção sem descarga de peso (sentado)
– Alongamentos leves
– Exercícios isométricos de joelho com carga progressiva
– Exercícios isotônicos de quadril com carga
– Exercícios isotônicos de tornozelo

4ª semanas

– ADM normal
– Piscina terapêutica
– Propriocepção com apoio bipodal em solo estável
– Marcha com apoio total (após 21 dias)

1º ao 2º mês

– Propriocepção com apoio unipodal em solo estável evoluindo para instável
– Bicicleta estacionária com carga gradual
– Exercícios isotônicos de joelho com carga progressiva

2º ao 3º mês

– Marcha na esteira com inclinação
– Propriocepção com apoio unipodal em solo instável
– Step com resistência gradual

3º ao 4º mês

– Propriocepção avançada
– Trote sem mudança de direção
– Natação
– Mecanoterapia com carga gradual e baixa ADM

4º ao 6º mês

– Propriocepção específica para o esporte, Saltos específicos
– Reforço muscular global intensivo
– Corrida com mudança de direção
– Nova avaliação isocinética
– Alta ambulatorial após sexto mês

6º ao 8º mês

– Reabilitação especial para retorno a atividade esportiva
– Treinamento específico
– Condicionamento físico

Protocolo acelerado reabilitação para reconstrução do ligamento cruzado anterior

1º dia de PO

– Mobilização passiva de O a 90º graus
– Apoio na marcha tanto quanto tolerado (sem muletas)

2º ao 4º dia

– extensão total
– apoio total sem muletas

7º ao 10º dia

– alongamento de isquiostibiais
– flexão ativo assistida
– Caminhar

2ª a 3ª semanas

– Mobilização passiva de 0 a 110 graus
– Fortalecimento gastrocnêmico, sóleo
– Atividades com carga

5ª a 6ª semanas

– Mobilização passiva de 0 a 130 graus
– Avaliação isocinética
– Início de corridas leves, pular corda, exercícios de agilidade

10ª semanas

– Mobilização passiva total
– Exercícios de agilidade
– Atividades esportiva específicas¨

Treinamento específico

– Condicionamento físico

4º a 6º mês

– Retorno à atividade esportiva

Fonte: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/reconstrucao_lca.htm

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